Após um período de inflação elevada e juros em ascensão no início dos anos 2020, espera-se uma moderação dessas variáveis à medida que adentramos 2026\. Projeções de grandes instituições indicam desaceleração inflacionária e potencial alívio monetário: a Morgan Stanley prevê que a inflação continue em queda nas principais economias, permitindo cortes adicionais nas taxas de juros em 2025-26[1]. Esse arrefecimento inflacionário traz algum alívio no custo de capital, mas vale lembrar que as taxas de juros nominais permanecem bem acima dos níveis excepcionalmente baixos da década passada. Ou seja, o dinheiro não está mais “barato” como antes, pressionando empresas a serem mais seletivas na alocação de investimentos. O encarecimento do capital também expõe empresas endividadas e valoriza práticas de gestão financeira conservadoras. Em suma, uma disciplina maior em projetos e gastos se torna obrigatória num ambiente em que o custo de oportunidade do capital subiu em relação à era dos juros zero. Por outro lado, caso a inflação caia conforme esperado e bancos centrais iniciem cortes graduais, podemos ver algum estímulo ao consumo e aos investimentos produtivos[2]. Ainda assim, o “novo normal” provável é de custos financeiros moderadamente superiores aos mínimos históricos, exigindo das empresas mais rigor nas decisões de portfólio e estrutura de capital.
