Custo de capital e concessões: O Brasil inicia 2026 com juros básicos ainda em patamar elevado (Selic 15% a.a., máxima em duas décadas)[1]. Esse alto custo de capital eleva os retornos exigidos e dificulta financiamentos de longo prazo, freando projetos de infraestrutura marginalmente viáveis. A expectativa é de alívio gradual a partir de 2026, mas permanece a necessidade de reduzir o risco-Brasil – hoje refletido em prêmios de risco soberano e instabilidade fiscal – para atrair capital privado em escala. Em paralelo, o pipeline de concessões e PPPs segue robusto: apenas em rodovias, o governo projeta 10 a 15 novos leilões em 2026, atingindo 35 concessões federais ao fim do mandato e consolidando “o maior programa de concessões rodoviárias do mundo”[2]. No setor portuário, 60 leilões em 4 anos (2023-2026) devem mobilizar cerca de US$ 7,2 bilhões em investimentos, multiplicando em várias vezes os aportes observados na década anterior[3]. Em saneamento, prevê-se uma última “super rodada” de 27 leilões até fim de 2026, comprometendo R$ 88,6 bilhões em novos investimentos[4]. Esses números indicam apetite do mercado, porém condicionados à queda dos juros e estabilidade institucional para se concretizarem.
